Escrever sobre como controlar a raiva em um dos meus artigos, é emocionante porque acho tão incrível este conceito de poder controlar uma emoção, e também por que acredito que, de certa forma é uma mudança tão “fácil” de se fazer, que poderia salvar diversas relações sejam elas amorosas, de trabalho ou sociais, que me dá uma alegria somente o fato de poder escrever esse artigo, e de verdade espero que ao final possa ser um conteúdo de entendimento prático para que você possa dar a volta por cima em todas suas relações de agora em diante.

Acredito que minha paixão pelo tema, vai fazer eu dedicar mais horas do que o normal para esse texto ?.

Antes de tudo precisamos entender um pouco de como esse processo acontece, fisiologicamente, pois como já dizia “Sun Tzu” em seu livro a arte da guerra “Se você conhece tudo sobre seu inimigo e tudo sobre você mesmo vencerá todas as batalhas”. E neste artigo nós vamos mais além de vencer a explosão da raiva, vamos dominá-la e usar ela a nosso favor, aí sim você gostou não é mesmo? Poxa usar ela ao meu favor isso é novo… Quero só ver !!

Primeiro quero que entenda que a raiva é um fluído, uma explosão de energia, misturada com adrenalina, incentivadas por neurotransmissores que disparam enzimas, vitaminas, aminoácidos, hormônios e etc… O problema não é ter raiva, todo mundo têm, o problema é o que você faz com ela, sacou ? Como assim ? Eu posso fazer outra coisa com a raiva que seja bom pra mim? Baitaaa !! Isso mesmo, você pode não estar acreditando agora no que estou dizendo, mas tenho certeza que ao terminar esse texto, vais ficar incitado a testar e comprovar por você mesmo.

Todo ataque de raiva se constrói primeiro através de nossos pensamentos, depois um acumulo do mesmo pensamento (geralmente ligado a uma frustração, complexos ou feridas emocionais), podem gerar uma emoção e a sequência repetida dessa emoção se torna um combustível para uma ação, aqui é onde a raiva pode explodir e você tomar uma atitude impulsiva, que de verdade não tomaria se estivesse com um pensamento lógico.

Sobre tudo se somos bons rastreadores de nosso próprio pensamento, podemos identificar quando um processo já esta mal em nosso campo mental, e se ali mesmo nos damos conta e começamos a corrigir, vamos evitar seguramente uma cascata catastrófica.

O objetivo deste artigo não é falar sobre o que originou e desencadeamento do processo que levou a raiva, pois isso é muito pessoal e da história de cada pessoa, não digo que isso não é importante, de fato é muito ! Mas para chegar essa conclusão, é necessário uma análise individual dos padrões de pensamentos e a história de cada pessoa.

Por isso nesse artigo quero retratar uma compreensão que todos podem ter independente da origem que desencadeou sua raiva, e no entanto evitar que relações valiosas para sua vida se percam ou sejam prejudicadas por um momento carregado de impulsividade.

Acredito nas relações, sejam amorosas, de amizades, colegas ou familiares como jóias que conquistamos ao longo do nosso trajeto. E sinceramente é uma tragédia que percamos algo amado, por um simples impulso … E por experiência própria, ao final em que deixamos um impulso de raiva sair, vem uma compreensão do erro que cometemos e que a pessoa que a recebeu não merecia !! Não é mesmo ?

Bom, funcionou para mim até hoje e já fazem mais de 10 anos do último ataque de raiva que tive do que posso recordar em minha mente, e por isso quero contribuir para que você também possa aprender essa técnica.

Depois que eu falar a técnica você vai achar algo simples, mas se eu simplesmente contasse sem dar todo contexto anterior, talvez você nem desse a importância que ela têm, então me dedico neste texto para que possa entender todo contexto que envolve esse processo.

Massa, agora já podemos avançar…

Se então entendemos que a raiva é um fluído que trilha um caminho: pensamentos > emoções > ação. Nosso objetivo daqui para frente vai ser observar o processo acontecendo e quando chegar na emoção e ela estiver bombando, como aqueles desenhos animados que vemos com a cabeça vermelha saindo fumacinha… hehe ! Pois é, nesse momento estamos com alta energia acumulada pronta para explodir como uma panela de pressão, se ela continua tapada ela vai sim explodir e machucar todos a sua volta, mas se dermos uma saída, uma válvula alternativa pra ela, como se fosse realmente a valvula de pressão da panela, esta válvula de segurança direciona e dá escape da pressão, e se soubermos usar essa pressão direcionada, isso vai funcionar como um combustível para ser usado em uma ação positiva e benéfica para você.

Sacou? ainda não … ? Você pode escolher o tipo de ação final que vai tomar, onde é que esse acúmulo de pressão vai ser liberado, isso mesmo podemos mudar a ação final onde vai ser liberada a raiva. Então ela passa a ser um combustível para uma ação física benéfica, diferente de antes, agora você escolhe a ação que vc quer … Legal não é mesmo? Porque a raiva (um impulso de energia) precisa que ser liberado ou descontado em xingamentos ou agressões nas pessoas ao nosso redor? Se esta emoção foi criada por nossa própria debilidade, por nossas incapacidades de comunicação e expressão de nossos sentimentos, logo ao final nos arrependemos do que fizemos e quando vemos o desastre da “explosão” já é tarde demais.

Então veja só que legal, se eu descarregar essa pressão de energia de forma direcionada, consciente, assim que estiver calmo novamente eu posso com meu estado normal de percepção ir conversar com a pessoa de forma sincera, e dizer: Fulano(a) fiquei com muita raiva do que você fez e depois de pensar melhor vim compartilhar com você em nome de nossa amizade …. e seja sincero ! Tá mais você não disse como posso descarregar a raiva, é mesmo ! Então vou dar algumas dicas que funcionaram para mim, mas também você pode escolher ou criar a sua própria, entendendo que a raiva é um combustível para a ação física:

CORRER: Ao momento da explosão eu logo juntava meu caução de corrida, meu par de tênis e corria o dobro ou mais do que normalmente, e era como uma válvula que ia dissipando, ao mesmo tempo eu ia refletindo no que foi que me deixou chegar naquele estado para que quando eu voltasse pudesse conversar com maior entendimento dos meus próprios sentimentos.

LIMPAR A CASA: Esta é uma ótima opção pois ao mesmo tempo que estamos limpando a casa fisicamente é como se estivéssemos limpando ou tirando as emoções sujas, enquanto tirava as sujeiras mais impregnadas ia pensando nas situações que não queria mais para minha vida e que estavam originando essa raiva.

PEDALAR: É uma ótima alternativa, a raiva que antes ia destruir relacionamentos agora foi combustível para melhorar sua saúde, é uma atitude muito sábia.

CONSTRUIR: Isso aconteceu com um amigo de anos, ele ficou muito puto porque um grupo de amigos lhe haviam esquecido de chamar para ir a uma excursão e construiu uma tenda de madeira e lona sozinho que normalmente precisaria de 5 homens para fazê-la. E quando o pessoal voltou ele tinha terminado.

Bom essas foi algumas dicas do que sei que funcionaram super bem, mas aí você vai me perguntar, esta bem, mas a situação que gerou a raiva eu não vou resolver se eu usar a raiva em outra coisa…. Pois é, se você quiser usar a raiva como combustível para proferir palavras contra um assunto que você normalmente não têm coragem de fazer se estiver fora da atuação dessa adrenalina, então meu amigo(a) você esta condenado ao fracasso. E falo porque essa mistura bombástica não lhe permite raciocinar com a lógica, é um vulcão em erupção ele vai machucar com certeza.

Não use a raiva para concertar uma debilidade sua de comunicação no relacionamento.

Use a válvula de escape que aprendeu nesse texto e trate de encontrar uma estratégia para resolver sua relação, ninguém é perfeito use a sinceridade do que esta passando dentro de você, e se não compreenderem ou não aceitarem a sua verdade, bom esse lugar não era para você…. A verdade cura !

Espero que tenham gostado desse artigo, e para os mais estudiosos vou deixar abaixo um passo-a-passo para vocês identificarem o processo completo desse mecanismo:

1 – AUTO-OBSERVAÇÃO:

Comece a prestar mais atenção nos seus pensamentos, simplesmente observe, sem juntar o que é certo e errado, só observe como um sábio que contempla as nuvens do céu, como elas aparecem e desaparecem.

2 – IDENTIFIQUE OS PADRÕES:

Ao tornar esse nível de observação dos pensamentos uma prática constante, você poderá começar a identificar pensamentos repetitivos, padrões de pensamentos que se repetem uma e outra vez em situações semelhantes.

3 – DAR-SE CONTA:

Agora já sabe que esse padrão de pensamento existe, comece a dar-se conta de quantas vezes ele foi acionado sem que você se desse conta, e quais os benefícios e prejuízos que esse padrão de pensamento trouxe para você. Neste mesmo processo de “dar-se conta” pode estar em um nível mais avançado de emoções aflitivas que podem estar desencadeando uma bomba emocional. Sinta essa fricção interna, observe como esta seu corpo, como estão suas mãos, seu estômago, sinta a pressão que ela faz e identifique como uma energia que se formou fisiologicamente em seu corpo.

4 – VÁLVULA DE ESCAPE:

Já reconhecendo a pressão como querendo sair, dê uma saída para ela evacuar, escolha uma das dicas acima, ou cria a sua própria, mas dê uma saída para essa energia. Crie uma válvula de escape positiva e consciente.

5 – DEIXE SAIR:

Encontre uma forma de ação que vai ser a válvula para desarmar essa bomba, se for algo muito urgente e rápido e não der tempo de se preparar para as dicas acima, você pode gritar pela janela, socar a almofada, existe uma técnica de gritar com uma pedra de rio e arremessa-la ao rio para levar essa emoção embora. Encontre ações para darem saída ao sentimento.

Deixo um grande abraço, a você caro leitor5 que chegou até aqui, fico grato e também motivado por pessoas que desejam aprender a serem melhores, façam perguntas, tirem dúvidas, escrevam depoimentos das experiências, compartam… Estarei lendo e respondendo os comentários ?

Abs, Rafael Shitarum

  • 541
  • 2